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Bruxismo, DTM e Estresse: Como a Oclusão e a Articulação Impactam a Saúde Geral

  • trefigliorochaodon
  • 31 de jul.
  • 3 min de leitura

A relação entre o sistema estomatognático, composto por dentes, maxilares, articulações e músculos mastigatórios, e a saúde geral do organismo tem sido amplamente documentada pela literatura científica. Entre as manifestações funcionais que mais afetam esse sistema estão o bruxismo e as Disfunções Temporomandibulares (DTM), condições frequentemente associadas a fatores neurológicos, emocionais e oclusais.


Compreender as causas, os sintomas e a complexidade dessas condições é fundamental para um diagnóstico preciso e para a preservação da estrutura dental e articular a longo prazo.



Diferenciando Bruxismo e DTM


Embora costumem ocorrer de forma simultânea, bruxismo e DTM são entidades clínicas distintas:


Bruxismo: Trata-se de uma atividade repetitiva da musculatura mastigatória caracterizada pelo apertamento ou ranger dos dentes. Segundo o consenso internacional sobre a condição, o bruxismo se divide em duas formas clinicamente distintas:

Bruxismo do Sono: Classificado como um comportamento motor associado ao ciclo do sono (microdespertares), com regulação central (sistema nervoso).

Bruxismo em Vigília: Ocorre com o indivíduo acordado, geralmente de forma inconsciente, caracterizado principalmente pelo apertamento dental em resposta a momentos de concentração, ansiedade ou estresse.



Disfunção Temporomandibular (DTM): É um termo guarda-chuva que abrange uma série de problemas clínicos envolvendo as Articulações Temporomandibulares (ATMs), os músculos da mastigação e as estruturas associadas. As DTMs podem ser divididas em:

Musculares (miogênicas): Origem na fadiga e espasmo da musculatura mastigatória.

Articulares (artrogênicas): Deslocamentos do disco articular, alteração estrutural do côndilo, osteoartrite ou processos inflamatórios da própria articulação.


O Papel do Estresse e da Oclusão


A etiologia (origem) do bruxismo e da DTM é multifatorial. Historicamente, acreditava-se que interferências oclusais (pequenos desequilíbrios no encaixe dos dentes) eram a causa primária do bruxismo. No entanto, estudos modernos e o avanço do conhecimento em neurofisiologia demonstraram que o fator central na gênese do bruxismo reside no Sistema Nervoso Central.


Fatores Emocionais e Psicossociais


O estresse crônico e a ansiedade elevam a atividade do sistema nervoso simpático e a liberação de cortisol e adrenalina. Isso resulta em um aumento da tonicidade basal dos músculos mastigatórios (especialmente o masseter e o temporal), favorecendo episódios de apertamento involuntário.


A Importância da Oclusão


Embora o desequilíbrio oclusal não seja a causa direta do bruxismo do sono, a estabilidade oclusal desempenha papel crítico na distribuição das forças mastigatórias. Contatos dentários prematuros ou instabilidade na mordida podem sobrecarregar grupamentos musculares específicos e a articulação temporomandibular, atuando como fator agravante ou perpetuante nas DTMs.


Manifestações Clínicas e Impactos na Saúde Geral


A sobrecarga contínua sobre os componentes do sistema estomatognático gera consequências que muitas vezes ultrapassam a cavidade oral:


Região Afetada: Manifestações Clínicas


Dentes e Periodonto: Desgaste acentuado do esmalte, fraturas de dentes ou restaurações, hipersensibilidade dentinária e reabsorção óssea compensatória.

Músculos Mastigatórios: Dores miofasciais, rigidez na região da mandíbula, hipertrofia do músculo masseter e limitação da abertura bucal.

Articulação (ATM): Estalidos (stalidos), crepitação, travamento da mandíbula e dores pré-auriculares.

Sintomas Sistêmicos: Cefaleias tensional-like (dores de cabeça predominantemente temporais), cervicalgia (dor na região do pescoço) e sensação de zumbido ou plenitude auricular (ouvido abafado). |


Abordagem Diagnóstica e Terapêutica


Por se tratar de condições multifatoriais, o manejo do bruxismo e da DTM exige uma abordagem criteriosa, frequentemente multidisciplinar (envolvendo Odontologia, Medicina, Fisioterapia e Psicologia).


O diagnóstico baseia-se em anamnese detalhada, palpação muscular e articular, análise oclusal e, quando necessário, exames de imagem de alta precisão (como a Ressonância Magnética para avaliação do disco articular e a Tomografia Computadorizada para estruturas ósseas).


As abordagens terapêuticas visam o controle dos sintomas, a proteção das estruturas dentais e o restabelecimento da função:


Placas Oclusais Estabilizadoras: Dispositivos confeccionados em resina acrílica rígida que distribuem as forças oclusais uniformemente, protegem os dentes contra desgastes mecânicos e auxiliam no alívio da sobrecarga articular.

Ajuste e Adequação Oclusal: Correção de interferências mecânicas para reestabelecer o equilíbrio funcional da mordida.

Terapeuticas de Suporte: Exercícios fisioterapêuticos para reeducação muscular, técnicas de gerenciamento do estresse e, em casos específicos, indicação de farmacoterapia sintomática sob supervisão profissional.


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Escrito por

Eliana Trefiglio Rocha

CRO SP: 37.807

 
 
 

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